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Como se mede do que um modelo de IA é capaz?

PorDiógenes MenezesAprendendo IA em público

14 min de leitura

Avaliar um modelo é rodá-lo sobre um conjunto fixo de tarefas com resposta conhecida e contar quantas ele acerta. O número que sai depende de quatro coisas: quais tarefas, como o prompt foi montado, quem corrige e como se agrega. Trocar qualquer uma delas muda o placar sem que o modelo tenha mudado.

Essa fragilidade não é defeito de execução, é a natureza da coisa. Medir capacidade de um sistema que aceita qualquer entrada em linguagem natural exige escolher uma amostra minúscula do que ele pode fazer e torcer para que ela represente o resto. Como um benchmark é construído é a pergunta que decide se essa aposta tem chance.

Este texto é o mapa do assunto. As quatro famílias de avaliação, o percurso de uma pontuação da pergunta até a linha da tabela e as armadilhas que fazem benchmarks enganarem mesmo quando ninguém age de má-fé. O que cada placar específico mede fica em MMLU, GPQA e SWE-bench explicados.

As quatro famílias

conhecimentoMMLU, GPQAcerto = marcou a alternativa do gabaritoraciocínioGSM8K, AIME, ARC-AGIcerto = a resposta final bateagênticaSWE-bench, τ-benchcerto = o teste passou de verdadepreferênciaArena, LLM-juizcerto = alguém preferiu esta resposta
Figura 1O que muda entre as famílias não é o assunto, é quem decide se acertou. Gabarito, verificador e humano dão garantias diferentes e falham de formas diferentes.

A divisão que importa não é por assunto. É por quem decide se a resposta está certa, porque isso determina o que o número consegue provar.

Conhecimento usa múltipla escolha com gabarito. O MMLU, de 2020, é o exemplo que definiu o formato: perguntas de 57 áreas, de matemática elementar a direito e ética, coletadas de material de prova real e pensadas para exigir conhecimento de mundo em vez de habilidade linguística1. Correção é comparação de string, o que torna a família barata de rodar e fácil de contaminar.

Raciocínio também tem gabarito, mas exige uma cadeia de passos até chegar nele. O GPQA levou isso ao extremo em 2023: 448 questões de biologia, física e química escritas por doutorandos e doutores, em que especialistas da área acertam 65% e validadores não especialistas com acesso livre à web acertam 34% depois de mais de meia hora por questão. O melhor sistema baseado em GPT-4 da época chegou a 39%2. O desenho existe justamente para que buscar na internet não resolva.

Agêntica troca o gabarito por um verificador. O SWE-bench, também de 2023, dá ao modelo um repositório e a descrição de um problema real e pede o patch; a correção é rodar a suíte de testes. São 2.294 problemas tirados de issues e pull requests de 12 projetos Python populares, e no lançamento o melhor modelo resolvia 1,96% deles3. Essa família é a mais cara de rodar e a mais difícil de falsificar: teste não passa por acidente.

Preferência não tem resposta certa. Dois modelos respondem à mesma pergunta, alguém escolhe a melhor, e um sistema de rating converte as escolhas em ranking. A Arena publicou o método em 2024 com mais de 240 mil votos coletados4. Mede o que agrada, que é uma informação real e não é a mesma coisa que estar correto.

O caminho de uma pontuação

a perguntaa respostaa correçãoo númerojá estavano pré-treinomuda com oformato do promptgabarito comerro humanopublicado sembarra de erroEm âmbar, o que distorce em cada etapa. As quatro se somam antes de virar uma linha de tabela.
Figura 3Uma pontuação atravessa quatro etapas e cada uma tem sua forma de mentir. Elas se somam, e o resultado é publicado como um número único sem margem.

Um número de benchmark parece um fato e é o resultado de quatro decisões encadeadas. Vale percorrer as quatro, porque cada uma tem um modo de falha documentado.

A pergunta pode já estar no treino

Contaminação é o problema mais conhecido e o mais mal resolvido. A defesa habitual é remover do corpus de treino qualquer trecho que coincida com o teste, por sobreposição de n-gramas. Um trabalho de 2023 mostrou que isso não basta: variações simples do teste, como paráfrase ou tradução, atravessam esses filtros, e um modelo de 13 bilhões de parâmetros treinado sobre elas atinge desempenho comparável ao do GPT-4 no benchmark contaminado. Os autores aplicaram uma detecção mais forte a conjuntos de pré-treino conhecidos e encontraram de 8% a 18% do HumanEval sobrepostos no RedPajama-Data-1T e no StarCoder-Data5.

O experimento mais elegante sobre o tamanho do efeito veio em 2024. Um grupo encomendou mil problemas novos no mesmo estilo e dificuldade do GSM8K, o benchmark de aritmética escolar, cuidando para igualar taxa de acerto humano, número de passos e magnitude das respostas. Modelos de várias famílias caíram até 8 pontos ao trocar o teste conhecido pelo teste novo, e a queda se correlacionou com a probabilidade de o modelo gerar exemplos do GSM8K de memória. A parte honesta do resultado: muitos modelos, especialmente os de fronteira, mostraram pouco sinal de sobreajuste6. Contaminação é real e não explica tudo.

A resposta muda com a forma de perguntar

Aqui está o fator que mais atrapalha comparação pública e menos aparece em material de divulgação. O mesmo modelo, no mesmo benchmark, produz notas diferentes conforme o prompt é montado, quantos exemplos vão junto, se a resposta é escolhida comparando probabilidades entre alternativas ou gerada como texto livre, e qual regra extrai a resposta do texto gerado.

A equipe que mantém um dos harness mais usados publicou em 2024 um apanhado de três anos de experiência com exatamente isso: sensibilidade do modelo ao arranjo da avaliação, dificuldade de comparar entre métodos e falta de reprodutibilidade e transparência, com casos concretos de onde a ausência de boa prática distorceu resultados7. A recomendação prática que sai dali é chata e eficaz: publique a configuração junto com o número, ou não publique o número.

O eval harness é o pedaço de software que toma essas decisões e não aparece na tabela.

A correção pode estar errada

O gabarito é escrito por gente, e gente erra. Um trabalho de 2024 anotou manualmente 5.700 questões dos 57 assuntos do MMLU e estimou que 6,49% do benchmark contém erro de gabarito. A concentração é o dado que assusta: no subconjunto de virologia, 57% das questões analisadas tinham problema. Ao recomputar as notas sobre a versão corrigida, as diferenças em relação ao reportado originalmente foram significativas8.

Isso tem uma implicação desconfortável. Quando um modelo está a poucos pontos do teto de um benchmark, parte da distância que falta é composta de questões cuja resposta “certa” está errada. Otimizar contra esse resto premia reproduzir o erro do anotador.

O número sai sem margem

A última etapa é agregação, e é onde se perde a informação mais útil. Um placar de 87,3% sobre 448 questões carrega uma incerteza amostral que raramente é publicada. Um artigo de 2024 tratou avaliações como o que elas são, experimentos, e mostrou como calcular a variância de uma medida, como comparar dois modelos levando em conta que eles responderam às mesmas perguntas e como dimensionar quantas questões são necessárias para detectar uma diferença de tamanho dado9.

A consequência prática cabe em uma frase: diferença de um ponto entre dois modelos em um benchmark de algumas centenas de questões costuma ser ruído, e é exatamente esse tipo de diferença que vira manchete.

Preferência humana mede outra coisa

A avaliação por comparação resolve o problema do gabarito ao custo de trocar “correto” por “preferido”. A Arena documentou o método em 2024 e mostrou que os votos da multidão concordam bem com avaliadores especialistas nas perguntas coletadas4. Uma variante automatiza o juiz: um modelo forte compara as duas respostas em vez de uma pessoa, o que barateia a operação e introduz os vieses do juiz, como preferir respostas longas ou a que aparece primeiro10.

Em 2025 apareceu a crítica estrutural. Um trabalho analisou as práticas da Arena e identificou que testes privados não divulgados beneficiam alguns fornecedores, que podem avaliar várias variantes antes do lançamento público e escolher qual pontuação divulgar. Os autores identificaram 27 variantes privadas testadas por um único fornecedor antes de um lançamento, e estimaram que dois fornecedores receberam cerca de 19,2% e 20,4% de todos os dados da plataforma, enquanto 83 modelos de peso aberto somados ficaram com 29,7%11. O efeito descrito é sobreajuste à dinâmica da arena, não qualidade geral.

Nada disso torna o ranking inútil. Torna-o um sinal com viés conhecido, que é uma coisa que se usa com cuidado e não uma coisa que se cita como veredito.

O mapa do assunto

construirexecutarinterpretararmadilhasde onde vêm as perguntasquem escreve o gabaritocontaminaçãoeval harnessformato do promptquantas amostrasbarra de errocontexto longocomparar entre versõestreinar para o testesaturaçãoseleção do placar
Figura 2Construir e executar são etapas de engenharia; interpretar é onde quase todo erro público acontece. As armadilhas não são acidentes, são incentivos.

Construir decide de onde vêm as perguntas, quem escreve o gabarito e como se tenta manter o teste fora do treino. É a etapa que define o teto de qualidade de tudo que vem depois.

Executar é o harness, o formato do prompt e quantas amostras por questão. Barata de fazer certo e responsável pela maior parte das discrepâncias entre números publicados.

Interpretar inclui barra de erro, comparação entre versões e o caso especial dos benchmarks de contexto longo, em que a diferença entre janela anunciada e janela útil só aparece se o teste for desenhado para isso.

Armadilhas é a categoria que não some com boa engenharia, porque é feita de incentivo: treinar para o teste, saturação de benchmark, e a seleção que acontece quando quem publica o número também escolhe qual número publicar. O ranking por preferência é onde essa dinâmica está melhor documentada.

O ciclo de vida de um benchmark

Todo benchmark segue o mesmo arco, e reconhecê-lo ajuda a ler qualquer placar pela data. Ele nasce difícil, com os melhores modelos no chão. Vira alvo de otimização. Sobe rápido, em parte por capacidade real e em parte por contaminação. Satura acima de 90%. E é aposentado, substituído por outro mais difícil, enquanto continua aparecendo em material de marketing por mais um ano.

O SWE-bench ilustra a primeira metade do arco: 1,96% no lançamento em 20233, e dois anos depois já era o teste que todo laboratório citava. O MMLU ilustra a segunda: em 2025, um grupo lançou um benchmark novo argumentando explicitamente que os testes populares não estavam acompanhando a dificuldade, já que os modelos passavam de 90% no MMLU, e montou 2.500 questões de fronteira do conhecimento escritas por especialistas de dezenas de áreas para voltar a ter sinal12.

A consequência para quem lê é direta. Um placar alto em benchmark maduro informa pouco, porque todo mundo está alto. Um placar em benchmark recém-lançado informa mais, e é menos comparável, porque ainda não há histórico. Nenhum dos dois substitui medir o seu caso.

Onde falha

Benchmark satura e para de informar. Quando os modelos de topo passam de 90%, o que resta a medir é o resíduo, que é feito de questões ambíguas e de erro de gabarito. A partir daí o placar separa modelos pelo motivo errado.

A média esconde a distribuição. Um modelo com 80% pode acertar tudo em 56 dos 57 assuntos do MMLU e zerar em um. Para a sua aplicação, que provavelmente vive em um assunto só, esses dois modelos de 80% não são intercambiáveis.

Capacidade média não prevê o seu caso. Essa é a falha mais cara na prática. O benchmark mede tarefa curta, entrada limpa e critério fixo; a sua aplicação tem entrada suja, contexto próprio e critério que ninguém escreveu ainda.

O que não é medido some. Latência, custo por chamada, estabilidade de formato, comportamento em entrada adversarial e taxa de recusa raramente entram no placar, e decidem se o sistema entra em produção.

Como avaliar o seu caso

  1. Escreva de 30 a 50 casos reais antes de olhar qualquer placar. Entrada de verdade, saída esperada de verdade. É o único instrumento que responde à sua pergunta.
  2. Defina a regra de correção antes de rodar. Se você não consegue escrever o que conta como acerto, o número que sair não vai significar nada.
  3. Rode cada caso mais de uma vez. Com temperatura acima de zero a resposta varia, e uma única execução mede a sorte junto com a capacidade.
  4. Calcule a margem antes de decidir. Em 40 casos, uma diferença de dois acertos entre dois modelos não é diferença.
  5. Meça o que o benchmark público ignora. Custo por chamada, tempo até a primeira resposta e taxa de saída malformada, na mesma planilha da acurácia.
  6. Congele o conjunto e a configuração. Mudar os casos e o modelo na mesma semana torna impossível saber o que causou a mudança no número.

Quanto custa

Em ordem de grandeza: um conjunto de 50 casos, rodado três vezes em três modelos, são 450 chamadas. Com prompts de alguns milhares de tokens, isso custa alguns dólares e roda em minutos. O custo real é humano, e está em escrever as saídas esperadas e revisar as discordâncias: contar algumas horas de trabalho de quem conhece o domínio é mais realista do que contar tokens.

Avaliação agêntica muda a conta. Cada caso pode envolver dezenas de chamadas, execução de código em ambiente isolado e minutos de relógio, o que coloca uma rodada completa na casa das dezenas ou centenas de dólares. É a razão pela qual essa família é rodada com menos frequência, e a razão pela qual vale automatizar a execução antes de aumentar o número de casos.

Footnotes

  1. Hendrycks et al. (2020) construíram um teste de múltipla escolha cobrindo 57 assuntos, de matemática elementar a direito e ética, desenhado para exigir conhecimento de mundo em vez de habilidade linguística.

  2. Rein et al. (2023) escreveram 448 questões de biologia, física e química validadas por especialistas: 65% de acerto entre quem tem ou está fazendo doutorado na área, 34% entre validadores não especialistas com acesso livre à web, e 39% para o melhor sistema baseado em GPT-4 da época.

  3. Jimenez et al. (2023) montaram 2.294 problemas a partir de issues e pull requests reais de 12 repositórios Python, corrigidos pela execução da suíte de testes. No lançamento, o melhor modelo resolvia 1,96%. 2

  4. Chiang et al. (2024) descreveram a plataforma de comparação par a par com mais de 240 mil votos coletados, e verificaram que os votos da multidão concordam com avaliadores especialistas. 2

  5. Yang et al. (2023) mostraram que paráfrase e tradução do teste atravessam filtros de descontaminação por sobreposição de texto, e encontraram de 8% a 18% do HumanEval sobrepostos em conjuntos de pré-treino públicos.

  6. Zhang et al. (2024) encomendaram mil problemas novos no estilo do GSM8K e mediram quedas de até 8 pontos, correlacionadas com a probabilidade de o modelo gerar exemplos do benchmark original de memória.

  7. Biderman et al. (2024) documentaram, a partir de três anos mantendo um harness de avaliação, a sensibilidade dos modelos ao arranjo do teste e a falta de reprodutibilidade entre implementações.

  8. Gema et al. (2024) reanotaram manualmente 5.700 questões dos 57 assuntos do MMLU, estimaram 6,49% de erro de gabarito no benchmark inteiro e 57% no subconjunto de virologia analisado.

  9. Miller (2024) tratou avaliações como experimentos estatísticos e derivou fórmulas para variância, comparação entre dois modelos sobre as mesmas questões e dimensionamento do número de questões.

  10. Zheng et al. (2023) mediram a concordância entre juízes automáticos e preferência humana, e catalogaram os vieses do juiz, entre eles a preferência por respostas longas e pela posição.

  11. Singh et al. (2025) identificaram testes privados não divulgados na Arena, incluindo 27 variantes testadas por um único fornecedor antes de um lançamento, e assimetria de acesso a dados entre fornecedores fechados e modelos de peso aberto.

  12. Phan et al. (2025) montaram 2.500 questões escritas por especialistas de dezenas de áreas, argumentando que os benchmarks populares pararam de informar quando os modelos passaram de 90% em testes como o MMLU.

Perguntas frequentes

Como funcionam os benchmarks de IA?
Um benchmark é um conjunto fixo de tarefas com resposta conhecida. O modelo responde a todas, um corretor automático compara com o gabarito e o placar é a proporção de acertos. A parte difícil não é rodar: é garantir que as perguntas nunca apareceram no treino e que o gabarito está certo.
Qual é o melhor benchmark para escolher um modelo?
O seu. Benchmark público mede capacidade média em tarefas que não são as suas, e a correlação com o seu caso costuma ser fraca. Trinta a cinquenta casos reais, com entrada e saída esperada escritas por você, decidem melhor que qualquer placar publicado.
O que significa contaminação de benchmark?
É quando as perguntas do teste, ou variações delas, estavam no corpus de pré-treino. O modelo então recupera de memória em vez de resolver. Filtros por sobreposição de texto não bastam: paráfrase e tradução passam por eles, e a nota sobe sem que a capacidade tenha subido.
Por que o mesmo modelo tira notas diferentes no mesmo benchmark?
Porque a nota depende de como o teste foi rodado. Formato do prompt, número de exemplos, se a resposta é escolhida por probabilidade ou gerada como texto, versão do harness e regra de extração da resposta mudam o resultado. Comparar dois números de fontes diferentes quase sempre compara execuções diferentes.
Avaliação por preferência humana é mais confiável?
É mais próxima do uso real e mede outra coisa: qual resposta agrada, não qual está certa. Também é manipulável, porque quem pode testar muitas variantes em privado e publicar só a melhor entra no ranking com vantagem. Serve como sinal, não como veredito.
O que é um eval harness?
O código que monta o prompt, chama o modelo, extrai a resposta e compara com o gabarito. Ele não aparece na tabela de resultados e decide boa parte dela. Rodar o mesmo benchmark em dois harness diferentes, sem fixar versão e configuração, produz dois números que não deveriam ser comparados.

Referências

  1. Hendrycks, D. et al.. Measuring Massive Multitask Language Understanding (2020)arXiv:2009.03300
  2. Rein, D. et al.. GPQA: A Graduate-Level Google-Proof Q&A Benchmark (2023)arXiv:2311.12022
  3. Jimenez, C. E. et al.. SWE-bench: Can Language Models Resolve Real-World GitHub Issues? (2023)arXiv:2310.06770
  4. Chiang, W.-L. et al.. Chatbot Arena: An Open Platform for Evaluating LLMs by Human Preference (2024)arXiv:2403.04132
  5. Zheng, L. et al.. Judging LLM-as-a-Judge with MT-Bench and Chatbot Arena (2023)arXiv:2306.05685
  6. Gema, A. P. et al.. Are We Done with MMLU? (2024)arXiv:2406.04127
  7. Zhang, H. et al.. A Careful Examination of Large Language Model Performance on Grade School Arithmetic (2024)arXiv:2405.00332
  8. Yang, S. et al.. Rethinking Benchmark and Contamination for Language Models with Rephrased Samples (2023)arXiv:2311.04850
  9. Miller, E.. Adding Error Bars to Evals: A Statistical Approach to Language Model Evaluations (2024)arXiv:2411.00640
  10. Biderman, S. et al.. Lessons from the Trenches on Reproducible Evaluation of Language Models (2024)arXiv:2405.14782
  11. Singh, S. et al.. The Leaderboard Illusion (2025)arXiv:2504.20879
  12. Phan, L. et al.. Humanity's Last Exam (2025)arXiv:2501.14249